sábado, 6 de dezembro de 2014

Advento, tempo propício para a Reconciliação

Advento, tempo propício para a Reconciliação

04.12O tempo do advento, que na liturgia da Igreja, indica o tempo de preparação para a recordação do nascimento de Jesus Cristo, é o momento propício para uma completa revisão de nossa vida, confrontando-a com a mensagem do Evangelho.

O Natal, assim, não pode ser, apenas, uma festa capitalista do consumo, pois, a singeleza do presépio fala muito mais de pobreza, doação, renuncia e compromisso com tudo o que a pessoa de Jesus Cristo significa.

Então, assim pensando, o Natal é tempo de reconciliação, consigo mesmo, frente aos valores evangélicos, acaso esquecidos e com os irmãos, tempo de perdão, paz, fraternidade, solidariedade.

Perdoar não é fácil, mas, contudo, é necessário, pois o perdão beneficia a quem perdoa. O perdoado, muitas vezes está dançando e cantando na vida e sequer lembra-se daquele que dele guarda rancor e mágoa.

Lembremo-nos que Jesus Cristo no suplício da cruz, a mais cruel e dolorosa das penas capitais, perdoou carinhosamente aqueles que nela o pregaram e amar aqueles que não nos são agradáveis, é um mandamento do Senhor: amai vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem.

Não se pense, todavia, que essa reconciliação deva existir, apenas na época do Natal, mas deve ser marco inicial de uma caminhada, pois importante é dar os primeiros passos e, para isso, a época é muito propícia.

No tempo de Natal, a figura de João Batista assume uma proeminência  muito grande, porque ele é o profeta que, no tempo propício, veio preparar a vinda próxima do Salvador.

João Batista é uma pessoa austera que pregou a conversão do coração como meio mais adequado para a vinda próxima do Senhor.

O precursor, João Batista apresenta sua pregação com imagens simbólicas, com lastro no profeta Isaias: preparai os caminhos do Senhor, endireitai as veredas para ele. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas, as passagens tortuosas serão endireitadas e os caminhos esburacados, aplainados e todos verão a salvação que vem de Deus.

Essa simbologia traz uma verdade bem mais profunda: devemos preparar os caminhos de nosso coração para o Senhor que vêm na pessoa do menino Jesus, abandonando toda forma de egoísmo e tornando nosso coração manso e humilde. Produzi frutos que mostrem a vossa conversão, diz João Batista, e não começais a dizer a vós mesmos, continua ele: Nosso Pai é Abraão… Toda árvore que não der bom fruto será cortada.

João Batista prega a conversão do coração, através da mudança dos critérios usuais: aquele que tem duas túnicas dê uma ao que não tem; os cobradores de impostos, tidos na época como pecadores, pois estavam a serviço do poder romano, que cobrem, apenas, o que for justo; os soldados, que não exijam dinheiro a força dos cidadãos, nem façam acusações mentirosas.

Nós, cristãos, precisamos, urgentemente, restaurar o sentido evangélico do Natal, o qual não pode converter-se, tão somente, na festa capitalista das compras desenfreadas, pois, o menino Jesus nasceu pobre, sem um local apropriado para nascer e sua presença entre nós é motivo de alegria, mas, principalmente, de tomada de consciência para adotarmos novos critérios de vida.

Desejo que os meus leitores possam comungar com o Beato Charles de Foucauld no apelo que faz para que sermos “ Pobre com Jesus” e desta forma buscar no Natal uma nova fonte de critérios de vida:       “Desde o seu nascimento, ele continua a nos instruir por seu exemplo e a nos pregar a pobreza, a extrema humildade, o sofrimento (…) como apareceu como o último operário (…) (eu devo) ser tão pequeno quanto meu Mestre, para estar com ele, para caminhar atrás dele, passo a passo, como doméstico fiel, discípulo fiel… irmão fiel.”“Tenhamos como Jesus essa pobreza que consiste em viver como os pobres, em não ter como habitação, alimento, vestimenta e bens materiais de todo tipo mais do que o necessário, como têm os pobres. Tenhamos uma pobreza que não seja convencional, mas a pobreza dos pobres.” (Confira 15 dias de Oração com Charles de Foucauld – Michel Lafon – Paulinas – Pag.35 e 37).

Bem, o que propomos não é fácil, mas ele, Jesus Cristo, disse: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.” “Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus.”

Por isso nesse tempo forte do Advento procuremos o sacramento da penitência, com reta intenção de não mais pecar, procurando a reconciliação com Deus, com a comunidade eclesial e com os irmãos e irmãos. Assim estaremos prontos para Alegrarmos com a chegada do Salvador, que será Natal para cada um de nós!

 Formação: Dezembro/2009


Fonte: comshalon.org

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Como celebramos o advento

Encontrei no sait acdi digital um texto maravilhoso sobrevoar advento, vale a pena ler!




Esquema do Advento

Começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Os domingos deste tempo se chamam 1º, 2º, 3º, e 4º do Advento. Os dias 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) tendem a preparar mais especificamente as festas do Natal.

O tempo do Advento tem uma duração de quatro semanas. Este ano, começa no domingo 01 de dezembro, e se prolonga até a tarde do dia 24 de dezembro, em que começa propriamente o Tempo de Natal. Podemos distinguir dois períodos. No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico e nos é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda ao fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos.

No segundo período, que abarca desde 17 até 24 de dezembro, inclusive, se orienta mais diretamente à preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos destes dias nos preparam diretamente para o nascimento de Jesus. Com a intenção de fazer sensível esta dupla preparação de espera, a liturgia suprime durante o Advento uma série de elementos festivos. Desta forma, na Missa já não rezamos o Glória. Se reduz a música com instrumentos, os enfeites festivos, as vestes são de cor roxa, o decorado da Igreja é mais sóbrio, etc. Todas estas coisas são uma maneira de expressar tangivelmente que, enquanto dura nosso peregrinar, nos falta alo para que nosso gozo seja completo. E quem espera, é porque lhe falta algo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, haverá chegado a Igreja à sua festa completa, significada pela Solenidade do Natal. 

Temos quatro semanas nas quais de domingo a domingo vamos nos preparando para a vinda do Senhor. A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor ao final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vela, mantendo uma especial atitude de conversão. A segunda semana nos convida, por meio do Batista a “preparar os caminhos do Senhor”; isso é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus segue chamando-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida. A terceira semana preanuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor. Finalmente, a quarta semana nos fala do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.

Quanto às leituras das Missas dominicais, as primeiras leituras são tomadas de Isaías e dos demais profetas que anunciam a Reconciliação de Deus e, a vinda do Messías. Nos três primeiros domingos se recolhem as grandes esperanças de Israel e no quarto, as promessas mais diretas do nascimento de Deus. Os salmos responsoriais cantam a salvação de Deus que vem; são orações pedindo sua vinda e sua graça. As segundas leituras são textos de São Paulo ou das demais cartas apostólicas, que exortam a viver em espera da vinda do Senhor.

A cor dos parâmentos do altar e as vestes do sacerdote é o roxo, igual à da Quaresma, que simboliza austeridade e penitencia. São quatro os temas que se apresentam durante o Advento:

I Domingo

A vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas e a prédica são um convite com as palavras do Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento”. É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar no caminho ao Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tem ofendido para começar o Advento vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família da mesma forma que em cada comunidade paroquial, acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, de cor roxa, como sinal de vigilância e desejo de conversão.

II Domingo

A conversão, nota predominante da predica de João Batista. Durante a segunda semana, a liturgia nos convida a refletir com a exortação do profeta João Batista: “Preparem o caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor maneira de preparar esse caminho que busca a reconciliação com Deus? Na semana anterior nos reconciliamos com as pessoas que nos rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos convida a acudir ao Sacramento da Reconciliação (Confissão) que nos devolve a amizade com Deus que havíamos perdido pelo pecado. Acenderemos a segunda vela roxa da Coroa do Advento, como sinal do processo de conversão que estamos vivendo.
Durante esta semana poderíamos buscar nas diferentes igrejas mais próximas, os horários de confissões disponíveis, para quando cheguar o Natal, estejamos bem preparados interiormente, unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia. 

III Domingo

O testemunho, que Maria, a Mãe do Senhor, vive, servindo e ajudando ao próximo. Na sexta-feira anterior a esse Domingo é a Festa da Virgem de Guadalupe, e precisamente a liturgia do Advento nos convida a recordar a figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de Jesus e que além disso está disposta a ajudar e a servir a todos os que necessitam. O evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Isabel e nos convida a repetir como ela: “quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me?
Sabemos que Maria está sempre acompanhando os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a viver esta terceira semana do Advento, meditando sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Propomos que fomentar a devoção à Maria, rezando o Terço em família. Acendemos como sinal de esperança gozosa a terceira vela, de cor rosa, da Coroa do Advento.

IV Domingo

O anúncio do nascimento de Jesus feito a José e a Maria. As leituras bíblicas e a prédica, dirigem seu olhar à disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do nascimento do Filho dela e nos convidam a “aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos; agora nos resta somente esperar a grande festa. Como família devemos viver a harmonia, a fraternidade e a alegria que esta próxima celebração representa. Todos os preparativos para a festa deverão viver-se neste ambiente, com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as famílias e as comunidades. Acenderemos a quarta vela da Coroa do Advento, de cor roxa.