quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O que é "Halloween" e o que se celebra realmente nesta data?

O que é "Halloween" e o que se celebra realmente nesta data?



Significado

Halloween significa "All hallow's eve", palavra que provém do inglês antigo, e que significa "véspera de todos os santos", já que se refere de noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos. Entretanto, o antigo costume anglo-saxão lhe roubou seu estrito sentido religioso para celebrar em seu lugar a noite do terror, das bruxas e dos fantasmas. Halloween marca um triste retorno ao antigo paganismo, tendência que se propagou também entre os povos espanos.


Origens

A celebração do Halloween se iniciou com os celtas, antigos habitantes da Europa Oriental, Ocidental e parte da Ásia Menor. Entre eles habitavam os druidas, sacerdotes pagãos adoradores das árvores, especialmente do carvalho. Eles acreditavam na imortalidade da alma, a qual diziam se introduzia em outro indivíduo ao abandonar o corpo; mas em 31 de outubro voltava para seu antigo lar a pedir comida a seus moradores, que estavam obrigados a fazer provisão para ela.

O ano celta concluía nesta data que coincide com o outono, cuja característica principal é a queda das folhas. Para eles significava o fim da morte ou iniciação de uma nova vida. Este ensino se propagou através dos anos junto com a adoração a seu deus o "senhor da morte", ou "Samagin", a quem neste mesmo dia invocavam para lhe consultar sobre o futuro, saúde, prosperidade, morte, entre outros.

Quando os povos celtas se cristianizaram, não todos renunciaram aos costumes pagãos. Quer dizer, a conversão não foi completa. A coincidência cronológica da festa pagã com a festa cristã de Todos os Santos e a dos defuntos, que é o dia seguinte, fizeram com que se mesclasse. Em vez de recordar os bons exemplos dos santos e orar pelos antepassados, enchia-se de medo diante das antigas superstições sobre a morte e os defuntos.

Alguns imigrantes irlandeses introduziram Halloween nos Estados Unidos aonde chegou a ser parte do folclore popular. Acrescentaram-lhe diversos elementos pagãos tirados dos diferentes grupos de imigrantes até chegar a incluir a crença em bruxas, fantasmas, duendes, drácula e monstros de toda espécie. Daí propagou-se por todo mundo.

Em 31 de outubro de noite, nos países de cultura anglo-saxã ou de herança celta, celebra-se a véspera da festa de Todos os Santos, com toda uma cenografia que antes recordava aos mortos, logo com a chegada do Cristianismo às almas do Purgatório, e que agora se converteram em uma salada mental em que não faltam crenças em bruxas, fantasmas e coisas similares.

Em troca, nos países de cultura mediterrânea, a lembrança dos defuntos e a atenção à morte se centram em 2 de novembro, o dia seguinte à celebração da ressurreição e a alegria do paraíso que espera à comunidade cristã, uma família de "Santos" como a entendia São Pablo.

Diversas tradições se unem, mesclam-se e se influem mutuamente neste começo de novembro nas culturas dos países ocidentais. Na Ásia e África, o culto aos antepassados e aos mortos tem fortes raízes, mas não está tão ligado a uma data concreta como em nossa cultura.


Abóbora, guloseimas, disfarces...

A abóbora foi acrescentada depois e tem sua origem nos países escandinavos e em seguida retornou a Europa e ao resto da América graças à colonização cultural de seus meios de comunicação e os séries e filmes importados.

Nos últimos anos, começa a fazer furor entre os adolescentes mediterrâneos e latino-americanos que esquecem suas próprias e ricas tradições para adotar a oca abóbora iluminada. No Hallowe'em (do All hallow's eve), literalmente a Véspera de Todos os Santos, a lenda anglo-saxã diz que é fácil ver bruxas e fantasmas. Os meninos se disfarçam e vão -com uma vela introduzida em uma abóbora esvaziada em que se fazem incisões para formar uma caveira- de casa em casa. Quando se abre à porta gritam: "trick or treat" (doces ou travessuras) para indicar que gastarão uma brincadeira a quem não os de uma espécie de propina em guloseimas ou dinheiro.

Uma antiga lenda irlandesa narra que a abóbora iluminada seria a cara de um tal Jack Ou'Lantern que, na noite de Todos os Santos, convidou o diabo a beber em sua casa, fingindo um bom cristão. Como era um homem dissoluto, acabou no inferno.

Com a chegada do cristianismo, enquanto nos países anglo-saxões tomava forma a procissão dos meninos disfarçados pedindo de porta em porta com a luminária em forma de caveira, nos mediterrâneos se estendiam outros costumes ligados a 1º e 2 de novembro. Em muitos povos espanhóis existe uma tradição de ir de porta em porta tocando, cantando e pedindo dinheiro para as "almas do Purgatório". Hoje em dia, embora menos que antigamente, seguem-se visitando os cemitérios, arrumam-se os túmulos com flores, recorda-se os familiares defuntos e se reza por eles; nas casas se falava da família, de todos os vivos e dos que tinham passado a outra vida e se consumiam doces especiais, que perduram para a ocasião, como na Espanha os pastéis redondos de vento ou os ossos de santo.

Enquanto isso, do outro lado do oceano e ao sul dos Estados Unidos, a tradição católica levada por espanhóis e portugueses se mesclava de acordo com cada país americano, mescla dos ritos locais pré-coloniais e com folclore do lugar.

Certamente na Galicia se unem duas tradições: a celta e a católica, por isso é esta a região da Espanha em que mais perdura a tradição da lembrança dos mortos, das almas do Purgatório, muito unidas ao folclore local, e as lendas sobre aparições e fantasmas. Em toda a Espanha perdura um costume sacrossanto que se introduziu nos hábitos culturais: a de representar nesta data alguma peça de teatro ligada ao mito de Dom Juan Tenorio. Foi precisamente este personagem, "o gozador de Sevilha ou o convidado de pedra", criado pelo frade mercedário e dramaturgo espanhol Tirso de Molina, que se atreveu a ir ao cemitério, nesta noite, para conjurar as almas de quem havia sido vítimas de sua espada ou de sua possessividade egoísta.

Em todas estas representações ritos e lembranças resiste um desejo inconsciente, pagão, de exorcizar o medo à morte, subtraindo a sua angústia. O mito antigo do retorno dos mortos converteu-se hoje em fantasmas ou dráculas com efeitos especiais nos filmes de terror.


Festividade de todos os Santos

Entretanto, para os crentes é a festa de todos os Santos a que verdadeiramente tem relevância e reflete a fé no futuro para quem espera e vivem segundo o Evangelho pregado por Jesus. O respeito aos restos mortais de quem morreu na fé e sua lembrança, inscreve-se na veneração de quem fora "templos do Espírito Santo".

Como assegura Bruno Forte, professor da Faculdade teológica de Nápoles, ao contrário de quem não acredita na dignidade pessoal e desvalorizam a vida presente acreditando em futuras reencarnações, o cristão tem "uma visão nas antípodas" já que "o valor da pessoa humana é absoluto". É alheio também ao dualismo herdeiro de Platão que separa o corpo e a alma. "Este dualismo e o conseguinte desprezo do corpo e da sexualidade não forma parte do Novo Testamento onde a pessoa depois da morte segue vivendo, pois é amada por Deus". Deus, acrescenta o teólogo, "não tem necessidade dos ossos e de um pouco de pó para nos fazer ressuscitar. Quero destacar que em uma época de "pensamento débil" em que se afirma que tudo cai sempre em um nada, é significativo afirmar a dignidade do fragmento que é cada vida humana e seu destino eterno".

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por São Odilon, monge beneditino e quinto Abade de Cluny na França em 31 de outubro do ano 998. Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "São Odilon desejou exortar a seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade de Cluny começou a estender o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que São Odilon chamou de Festa dos Mortos, prática ainda hoje em vigor na Igreja universal".

"Ao rezar pelos mortos -diz o Santo Padre-, a Igreja contempla sobre tudo o mistério da Ressurreição de Cristo que por sua Cruz nos dá a salvação e a vida eterna. A Igreja espera na salvação eterna de todos seus filhos e de todos os homens".

Depois de destacar a importância das orações pelos defuntos, o Pontífice afirma que as "orações de intercessão e de súplica que a Igreja não cessa de dirigir a Deus têm um grande valor. O Senhor sempre se comove pelas súplicas de seus filhos, porque é Deus de vivos. A Igreja acredita que as almas do purgatório "são ajudadas pela intercessão dos fiéis, e sobre tudo, pelo sacrifício proporcionado no altar", assim como "pela caridade e outras obras de piedade".

Por essa razão, o Papa pede aos católicos "para rezar com ardor pelos defuntos, por suas famílias e por todos nossos irmãos e irmãs que faleceram, para que recebam a remissão das penas devidas a seus pecados e escutem o chamado do Senhor".


Cultura e negócio do terror

Uma cultura de consumo que propícia e aproveita as oportunidades para fazer negócios, sem importar como. Hollywood contribuiu à difusão do Halloween com uma série de filmes nas quais a violência gráfica e os assassinatos criam no espectador um estado mórbido de angústia e ansiedade. Estes filmes são vistos por adultos e crianças, criando nestes últimos, medo e uma idéia errônea da realidade. O Halloween hoje é, sobre tudo, um grande negócio. Máscaras, disfarces, doces, maquiagem e demais artigos necessários são um motor mais que suficiente para que alguns empresários fomentem o "consumo do terror". Busca-se, além disso, favorecer a imitação dos costumes norte-americanos por considerar-se que isto está bem porque este país é “superior”.


Pensando a partir da fé

Uma proposta de temas para considerar atentamente nossa fé católica e a atitude que devemos tomar ante o halloween.

Diante de todos estes elementos que compõem hoje o Halloween, vale a pena refletir e fazer as seguintes perguntas:

É que, contanto que se divirtam, podemos aceitar que as crianças ao visitar as casas dos vizinhos, exijam doces em troca de não lhes fazer algum dano (danificar muros, quebrar ovos nas portas, etc.)? Com relação à conduta dos demais pode ser lido o critério de Nosso Senhor Jesus Cristo em Lc 6,31.

Que experiência (moral ou religiosa) fica na criança que para "se divertir" usando disfarces de diabos, bruxas, mortos, monstros, vampiros e demais personagens relacionados principalmente com o mal e o ocultismo, sobre tudo quando a televisão e o cinema identificam estes disfarces com personagens contrários à moral sã, à fé e aos valores do Evangelho.? Vejamos o que diz Nosso Senhor Jesus Cristo do mal e o mau em Mt 7,17. Mt 6,13. A Palavra de Deus nos fala disto também em 1ª Pe 3, 8-12.

Como podemos justificar como pais de uma família cristã a nossos filhos, que o dia do Halloween façam mal às propriedades alheias? Não seríamos totalmente incoerentes com a educação que viemos propondo na qual se deve respeitar a outros e que as travessuras ou maldades não são boas? Não seria isto aceitar que, pelo menos, uma vez ao ano se pode fazer o mal ao próximo? O que nos ensina Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o próximo? Leiamos Mt 22, 37-40

Com os disfarces e a identificação que existe com os personagens do cinema... Não estamos promovendo na consciência dos pequenos o mal e o demônio são apenas fantasias, um mundo irreal que nada tem que ver com nossas vidas e que, portanto não nos afetam? A Palavra de Deus afirma a existência do diabo, do inimigo de Deus em Tia 4,7  1ª Pe 5,18  Ef 6,11  Lc 4,2  Lc 25, 41

Que experiência religiosa ou moral fica depois da festa de halloween?

Não é Halloween outra forma de relativismo religioso com a qual vamos permitindo que nossa fé e nossa vida cristãs se vejam debilitadas?

Se aceitarmos todas estas idéias e tomamos palavras levianas em "altares de diversão de crianças". O que diremos aos jovens (a quem durante sua infância lhes permitimos brincar o Halloween) quando forem aos bruxos, feiticeiros, médiuns, e os que lêem as cartas e todas essas atividades contrárias ao que nos ensina a Bíblia?

É que nós, como cristãos, mensageiros da paz, o amor, a justiça, portadores da luz para o mundo, podemos nos identificar com uma atividade aonde todos seus elementos falam de temor, injustiça, medo e escuridão? Sobre o tema da paz podemos ler Fil 4,9  Gál 5,22. Ver o que diz Jesus sobre isto em Mt 5,14  Jo 8,12

Se formos sinceros conosco mesmos e procurarmos sermos fiéis aos valores da Igreja Católica, chegaremos à conclusão de que o halloween não tem nada que ver com nossa lembrança cristã dos Fiéis Defuntos, e que todas suas conotações são nocivas e contrárias aos princípios elementares de nossa fé.


Sugestões para os pais de família

Como lhe dar aos filhos um ensino autêntico da fé católica nestas datas? Como fazer que se divirtam com um propósito verdadeiramente católico e cristão? O que podemos ensinar às crianças sobre esta festa?

Ante a realidade que alaga nosso meio e que é promovida sem medida pelo consumismo nos perguntamos o que fazer? Fechar os olhos para não ver a realidade? Procurar boas desculpas para justificar sua presença e não dar maior importância a esta "brincadeira"? Devemos proibir a nossos filhos de participar do halloween enquanto que seus vizinhos e amigos se "divertem"? Seriam capazes as crianças de entender todos os perigos que correm e por que de nossa negação a participar disto? 

A resposta não é simples, entretanto acreditam que sim há algumas coisas que podemos fazer:

O primeiro é organizar uma catequese com os meninos nos dias anteriores ao halloween, com o propósito de ensinar o por que da festividade católica de Todos os Santos e os Fiéis Defuntos, fazendo ver a importância de celebrar nossos Santos, como modelos da fé, como verdadeiros seguidores de Cristo.

Nas catequeses e atividades prévias a estas datas, é boa idéia que nossos filhos convidem a seus amigos, para que se atenue o impacto de rechaço social e seus companheiros entendam por que não participam da mesma forma que todo mundo.

Devemos lhes explicar de maneira simples e clara, mas firme, quão negativo há no Halloween e a maneira em que se festeja. É necessário lhes explicar que Deus quer que sejamos bons e que não nos identifiquemos nem com as bruxas nem com os monstros, pois nós somos filhos de Deus.

Propomos aos pais de família uma opção para seus filhos, pois certamente as crianças irão querer sair com seus amigos na noite do Halloween: As crianças podem disfarçar-se de anjos e preparar pequenas bolsas com doces, presentes ou cartões com mensagens e passar de casa em casa, e em lugar de fazer o "doces ou travessuras" ou de pedir doces, dar de presente aos lares que visitem e que expliquem que entregam doces porque a Igreja Católica terá muito em breve uma festa muito importante em que se celebra a todos aqueles que foram como nós deveríamos ser: os Santos.

Embora esta mudança não será simples para as crianças, é necessário viver coerentemente com nossa fé, e não permitir que os menores tomem como algo natural a conotação negativa do halloween. Com valor e sentido cristão, os católicos podem dar a estas datas, o significado que têm no marco de nossa fé.


Idéias criativas de como dar as crianças um ensino positivo nestas datas

Chilenos trocam “Halloween” por festa positiva

SANTIAGO, 28 Out. 03 (ACI).-Com o fim de trocar os conteúdos de morte e terror promovidos na festa do Halloween, numerosas instituições e famílias chilenas estão impulsionando uma campanha para estabelecer em 31 de outubro como a “Festa da Primavera”, aonde os principais disfarces são de anjos, Santos e princesas, em vez dos terríveis modelos da celebração de origem celta e popularizada pelos Estados Unidos. 

Alguns colégios, organizações comerciais e até supermercados da capital se somaram à campanha. “Há um público consumidor que está de acordo com o formato da festa, mas outro que está olhando o que acontece procurando ter algo em que seus filhos participem. Então vimos uma massa que precisava ter uma nova festa e lançamos outros produtos”, explicou o gerente de vendas de Arcor-Dois em Um, Jorge Borselli.

Dita empresa lançou no ano passado a linha de balas “Fadas e magos”; junto com a empresa de guloseimas Ambrosoli, que incorporou também nesta temporada sua linha “Magic” associada à bondade, a sabedoria e a valentia.

Do mesmo modo, diversas companhias de disfarces estão modificando sua oferta para atender os requerimentos desta nova celebração. A sócia de Duende Azul –com locais na zona oriente e centro de Santiago–, Belén Aleu, afirmou que “a demanda foi mudando nos últimos dez anos. Antes pediam apenas coisas de terror. Agora levam trajes de princesas, anjos ou damas antigas”.

Por outro lado, os supermercados da capital estão se somando a este “Halloween branco” trocando sua decoração para a festividade. “Agora é uma festa à chilena, já não só com a conotação de festa de bruxas”, explicou o gerente de marketing do Jumbo, Francisco Guzmán.

Festa de Todos os Santos

"Convidamos a todos a participarem de uma alegre celebração 31 de Outubro do 2003".

· Há dois anos, uma simples apresentação como esta, distribuída por correio, iniciou uma mudança radical em nossa sociedade: resgatar o sentido original da véspera de Todos os Santos.

· Esta iniciativa teve uma grande acolhida; adultos, jovens e crianças celebraram esta festa em forma positiva, entretida, sã e alegre e mais de acordo com nossos costumes e valores.

· A cada ano somos mais, por isso os convidamos a somar-se a esta iniciativa. 

· Neste ano de consolidação queremos chegar a todos os cantos, celebrando massivamente “A Festa de Todos os Santos”.

Estratégia

· Mais que combater a forma em que hoje se celebra “Halloween”, que nada tem que ver com nossos costumes e valores; queremos retomar o sentido original desta data e celebrar a  “Festa de Todos os Santos”.

· Manteremos os elementos bons e positivos; celebrar, disfarçar-se e compartilhar, mas propomos trocar os negativos:

- Morte e escuridão, ....por vida,

- Terror e medo, .....por alegria,

- Violência, .....por paz e amor,

- Sustos e chantagem, ......por respeito e entrega.

· Propomos uma celebração ampla a qual todos se somem alegremente independente de sua proximidade com a religião.

· Desta maneira formaremos valores positivos nas crianças já que aprenderão a dar parte de si para obter seus objetivos, a respeitar e não amedrontar e que por sobre tudo devem prevalecer a vida, o amor, a paz e a alegria.

Planejamento

Celebraremos a festa de “Todos os Santos”.

As crianças e jovens sairão à rua a compartilhar com seus vizinhos em um são ambiente de amizade.

As crianças:

· Disfarçar-se-ão de algo positivo como palhaço, flor, santo, princesa, bichinho, etc..

· Sairão às ruas acompanhados de algum adulto ou jovem responsável, para pedirem doces.

· Só tocarão a campainha nas casas que tenham globos ou fitas de cor branca em suas portas ou grades, aceitando assim participar desta celebração. Aos outros simplesmente não lhes incomodará.

· Para receber os doces os meninos deverão entregar algo em troca.

· Ao que entreguem lhe chamaremos “graça” e pode ser um desenho, uma poesia, uma oração, uma flor, um santo, um cartão ou algo feito por eles em sua aula de Religião ou de Arte.

Os jovens:

· Acompanharão as crianças nesta celebração sendo modelo e exemplo para eles, quer dizer celebrando em forma positiva para semear paz, amor e alegria.

· Se quiserem organizar alguma festa ou celebração, pedimos que façam “Festas Brancas” onde todos se vistam dessa cor e o passem muito bem em um ambiente positivo e alegre.

O que lhes pedimos?

· Distribuam esta apresentação a todas as pessoas que possam.

· Que comentem esta iniciativa com sua família, amigos e conhecidos.

· Que a façam chegar às empresas que estejam interessadas nesta festa, aos meios de comunicação e a quem possa apoiá-la.

· Proponham em Colégios, Jardins Infantis e Igrejas, que a festa se aborde de maneira positiva e construtiva.

· Apóiem e acompanhem a seus filhos nesta celebração, assim estaremos educando-os nos valores que esta festa nos convida a celebrar.

SE TODOS INCENTIVARMOS ESTA IDÉIA, CADA DIA SEREMOS MAIS OS QUE CELEBRAREMOS COM ALEGRIA “A FESTA DE TODOS OS SANTOS”.

Mais informação no site: www.todoslossantos.cl

O Episcopado francês ilustra as festas de Todos os Santos e dos Defuntos

PARIS, 28 outubro 2003 (ZENIT.org) .- Em meio as campanhas publicitárias de promoção da festa de Halloween, a Conferência Episcopal da França publicou um comunicado para explicar o sentido das festas de Todos os Santos e do dia dos Defuntos.

«Com o passar do ano, a Igreja católica celebra os Santos que canonizou oficialmente e que apresenta como modelos e testemunhas exemplares da fé», recorda o texto.

Com a festa de 1º de novembro, dia de Todos os Santos, a Igreja deseja «honrar aos Santos "anônimos" --muito mais numerosos-- que com freqüência viveram na discrição a serviço de Deus e de seus contemporâneos».

Neste sentido, esclarece o documento, é a festa de «todos os batizados, pois cada um está chamado por Deus à santidade». Constitui, portanto, um convite a «experimentar a alegria daqueles que puseram a Cristo no centro de sua vida».

Em 2 de novembro, dia de oração pelos defuntos, explicam os prelados franceses, propõe uma prática que começou com os primeiros cristãos. 

A idéia de convocar uma jornada especial de oração pelos defuntos, continuação de Todos os Santos, surgiu antes do século X, seguem explicando.

«Em 1º de novembro, os católicos celebram na alegria a festa de Todos os Santos; no dia seguinte, rezam de maneira mais general por todos os que morreram», afirmam. 

Deste modo, a Igreja quer dar a entender que «a morte é uma realidade que se pode e que terá que assumir, pois constitui o passo no seguimento de Cristo ressuscitado».

Isto explica as flores com que nestes dias se adornam os túmulos, «sinal de vida e de esperança», concluem os prelados.

"Holywins" uma proposta criativa da Diocese de Paris

Na cruzada de ser criativo para em 31 de outubro, véspera do Dia de todos os Santos,

www.holywins.org  conta como se organizam na Diocese de Paris !

A iniciativa, batizada com o nome do Holy wins» («a santidade ganha») --trocadilho contraposto ao Halloween-- foi lançada pela arquidiocese de Paris.

No 2002, vários centenas de jovens na missão nas ruas de Paris, mais de 8000 pessoas ao concerto da Praça St-Sulpice, com uma ampla cobertura nos meios.

Para 2003: Com o êxito da primeira edição, os jovens irão outra vez pelas ruas em 31 de outubro. Sua motivação? “ Testemunhe  sua esperança e a sua fé na Ressurreição”.

(...) Em uma sociedade que tende a evitar a questão da morte, a festa do Halloween tem o mérito de nos questionar sobre este tema, mas só faz referência aos rituais mórbidos e macabros. Por este motivo os jovens de Paris querem aproveitar o êxito do Halloween para testemunhar sua fé e a esperança cristã diante da morte na vigília da festa de Todos os Santos (1º de novembro) e dos Defuntos, dos que se faz memória ao dia seguinte.

Parte desta informação é cortesia do Lic. Eduardo R. Cattaneo
Editor Responsável por: ESCOLA VIRTUAL PARA PAIS
Mendoza, Argentina
Ecattaneo@fullzero.com.ar / ecattaneo@argentina.com

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A finalidade da homilia

A homilia: espírito e finalidade pastoral

I. FINALIDADE DA HOMILIA

A finalidade de qualquer ação ou tarefa determina a sua preparação e os meios que se devem empregar. A “causa final” é sempre prima in intentione.

Duas Exortações Apostólicas de Bento XVI, Sacramentum Caritatis (SC) e Verbum Domini (VD), proporcionam-nos idéias muito claras sobre a finalidade da homilia:

1) A sua «função [portanto, o seu fim] é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla daPalavra de Deus na vida dos fiéis»[1] (SC n. 46 e VD n. 59).

2) «A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida» (VD n. 59).

3) «tenha-se presente a finalidade catequética e exortativa da homilia» (SC n. 46). A respeito do caráter exortativo, a VD menciona a conveniência de, mesmo nas breves homilias diárias, «oferecer reflexões apropriadas [...], para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada» (n. 59).

4) Um ponto importante sobre o foco central da homilia: «Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia» (VD n. 59).

No n. 11 da VD, ao falar da “Cristologia da Palavra”, o Papa, cita a Encíclica Deus caritas est e frisa que : «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».

Consequência dessa centralidade de Cristo é que se deve evitar «atrair a atenção mais para o pregador do que para o coração da mensagem evangélica» (VD n. 59). Não nos pregamos a nós mesmos –dizia São Paulo –, mas a Jesus Cristo, o Senhor (2 Cor 4,5).

Veremos mais detidamente vários desses pontos em outras partes da palestra.

II. PREPARAÇÃO DA HOMILIA

EM GERAL

Vista a finalidade, a preparação deve levar em conta o que Santo Agostinho ensinava, na esteira de Cícero. O pregador deve transmitir o alimento da Palavra de tal modo que instrua, agrade e convença: «ut doceat, ut delectet, ut flectat» (De doctrina christiana, L 4, C 12, n. 27). As três coisas são necessárias para alcançar a finalidade da pregação, que é fazer chegar a Palavra de Deus à vida dos fiéis. A pregação, portanto, deve chegar:

a) à inteligência (doceat): O meu povo definha por falta de conhecimento, diz Deus por Oséias (Os 4,6). Palavras que se aplicam plenamente às circunstâncias atuais. Há um enorme déficit de doutrina. Pregar sem a preocupação constante de dar doutrina seria apoiar bom material de construção em cima da areia (cf. Mt 7,26-27). É preciso refletir muito a sério sobre o melhor modo de transmitir doutrina “kerigmaticamente” (como faziam os Padres), e também sistematicamente, solidamente.

Não são infrequentes homilias que divagam, dão interpretações superficiais (no mínimo) aos textos litúrgicos, e –quando muito – tocam o sentimento. Ora, o sentimento sem doutrina é vento que passa, por mais que seja inflamado.

b) e ao coração (delectet). O coração, em sentido bíblico, «é o nosso centro escondido [...]. É o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É o lugar da verdade [...]. É o lugar do encontro» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2536). É o lugar onde a Palavra deve vibrar, alegrar, deliciar, “tocar”…

d) e à vontade (flectat – ou moveat) : que “dobre” (flectat) a vontade acomodada, adormecida ou apegada ao mal; que incentive a alma a agir de acordo com a Palavra; que leve a concretizar decisões e propósitos.

ðUma doutrina que não atinge o coração e a vontade é só teoria árida ou divagação “interessante”.

ðCoração sem doutrina – já o dizíamos – é sentimentalismo passageiro, e há o perigo de que seja (um perigo muito real, hoje) uma forma pós-moderna da “beatice”, da “carolice” antiga: oração sentida, emoções “místicas”, procura abusiva de manifestações milagrosas ou extraordinárias, muitas práticas espirituais ruidosas…, mas sem que haja aquisição de virtudes nem purificação de defeitos nem entrega mais generosa ao próximo. Lembremos: Se me amais, cumprireis os meus mandamentos [...] Aquele que não me ama, não guarda as minhas palavras (Jo 14, 15 e 24). Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor (Jo 15,10).

Santo Agostinho cita Cícero (De inventione, L. 1,1): «A sabedoria sem eloquência (sem odelectet) é pouco útil; a eloquência sem sabedoria (delectet sem doceat) é frequentemente bastante nociva e nunca útil» (em De doctrina Christiana, L 2, C 5)

O TRABALHO DE PREPARAÇÃO

I. Três considerações prévias:

1ª) Mentalidade profissional: no mínimo, devemos ter a mentalidade de um bom professor, que prepara as aulas primorosamente. A falta de “profissionalismo” (coisa que não seria aceita numa Faculdade séria ou numa empresa) é sinal de preguiça, imaturidade ou autoconfiança vaidosa do padre, além de ser um desrespeito do povo.

2ª) Espírito sobrenatural:  S. Agostinho diz, que o pregador «deve ser orante antes de ser orador» – «sit orator antequam dictor», e acrescenta: «no próprio momento em que vai falar ao povo [...], deve rezar a Deus para que ponha em sua boca boas palavras» (De doctrina…, L 2, C 16 e L 2, C 31).

3ª) Sem esforço nem oração, pregar a Palavra de Deus é tentar o Espírito Santo.

II. A preparação remota

2.1 Em primeiro lugar, «é preciso que os pregadores tenham familiaridade e contato assíduocom o texto sagrado» (VD n. 59).

É fundamental. Sem esforçar-se por adquirir o saber sapiencial – amoroso e orante – da Sagrada Escritura (lectio divina), o pregador não é capaz de transmitir a Palavra de Deus com a luz e o calor do Espírito Santo. Pode transmitir idéias e teorias boas, pode dar uma espécie de aula de exegese mais ou menos correta, pode repetir textos ou pensamentos alheios como o faria um gravador, mas não dará uma homilia.

2.2 A lectio divina não é um luxo. É uma necessidade.  Vale a pena meditar e aplicar o “roteiro” sintético da lectio divina que dá a VD no n. 87:

a) lectio: o que diz o texto bíblico em si?

b) meditatioque nos diz o texto bíblico? No n. 59 da VD, o Papa, ao falar da homilia sobre as leituras proclamadas, diz: « O que dizem a mim pessoalmente? O que devo dizer à comunidade…? O pregador deve  deixar-se interpelar primeiro pela Palavra de Deus que anuncia».

c) oratioque dizemos ao Senhor em resposta à  sua Palavra?

d) contemplatioassumir o olhar de Deus ao contemplar a realidade, e descobrir qual é a conversão que o Senhor nos pede?

e) actiochegar à ação, doar-se aos outros na caridade.

2.3 Só assim estaremos em condições de ser bons instrumentos do Espírito Santo. Uma exegese bíblica sem fé e amor, sem a doutrina da fé e sem o calor da oração, seria uma “dissecação de cadáver”, uma triste manipulação da Palavra. Manipulação que pode ser:

–a serviço de uma ideologia (filosófica, política, “teológica”, etc.)

– a serviço de uma exibição (vaidade de ser original ou chocante)

– a serviço do comodismo (divagar, repetir sempre o mesmo disco)

– a serviço de nada:  “não diz coisa com coisa”, comenta o povo.

2.4 De modo mais geral, é necessário que assumamos a responsabilidade de sermos homens de estudo contínuo, como o são, em quaisquer áreas, os bons profissionais.

Estudo bem definido, sistemático, que leve mesmo a aprofundar, esclarecer e ordenar as idéias. Saber escolher – pedindo conselho a quem o possa dar – os livros bons e realmente úteis, evitando “folhear” ou ficar  apenas “bicando” por curiosidade leituras diversas, “novidades” e textos picados da Internet. Talvez o pior inimigo da cultura em geral, também da cultura teológica, seja hoje essa facilidade de deslizamento cultural pela superfície de cem assuntos diversos, que não têm uma coerência, um eixo, uma unidade harmônica. Isso seria cair num espírito frívolo e imaturo de “curiosidade”, que não vai a fundo em nada.

Penso que uma resolução ótima para nós, padres, seria a de ler devagar, cada ano, uma parte do Catecismo da Igreja Católica; e também a de consultar esse Catecismo, recorrendo ao excelente índice temático do final do volume, na edição típica, para ver o que diz sobre o “tema” escolhido por nós para a pregação. Por exemplo, só na parte relativa aos «mistérios da vida de Cristo» (nn. 512 e ss.) há ideias excelentes para homilias das principais solenidades “cristológicas” do ano litúrgico. E quanta luz para a pregação não se pode tirar da Segunda parte (Sacramentos), da Terceira (Moral, Vida em Cristo), e da quarta (Oração).

Da mesma forma, muito nos podem e devem ajudar – como matéria de estudo e pregação – os documentos da Igreja, lidos do início até o fim.

2.5 Por outro lado, lembremos que, na pregação, procuramos o bem, o proveito e o crescimento cristão do povo. Nada mais contrário a isso do que fazer do povo a “cobaia” dos nossos experimentos teológicos, das nossas teorias, das nossas idéias pessoais (muitas vezes mal digeridas e pior formuladas). Isso não é ser bom pastor, mas é um caminho fácil para chegar a ser  – por duras que pareçam estas palavras de Cristo – o ladrão e salteador da parábola do Bom Pastor (Jo 10,1), pois espolia o povo do «esplendor, a segurança e o calor do sol da fé» (Caminho, n. 575).

2.6  Finalmente, recordemos o antigo ditado: «Frei exemplo é o melhor pregador». No n. 60 da VD, Bento XVI inclui a seguinte citação de São Jerônimo: «Que as tuas ações não desmintam as tuas palavras, para que não aconteça que, quando tu pregares na igreja, alguém comente no seu íntimo: “Então porque é que tu não ages assim?” […] No sacerdote de Cristo, devem estar de acordo a mente e a palavra» (Epistula 52,7).

III. A importância da vibração interior

3.1 Tanto para a preparação remota, como para a preparação próxima, de que falaremos a seguir, é fundamental  o entusiasmo interior do sacerdote em relação aos temas de que vai falar, e em relação ao bem que deseja fazer, com o auxílio do Espírito Santo, ao povo.

3.2 O famoso livrinho de Santo Agostinho De Catechizandis rudibus ( “A catequese dos principiantes”) é uma resposta dada pelo santo ao diácono Deogratias, que lhe havia escrito manifestando o seu desânimo e pedindo conselho, porque seus ouvintes cochilavam e se distraíam enquanto ele falava.

De uma maneira afetuosa (e com um estilo latino que o humanista Erasmo admirava), Agostinho anima Deogratias. Depois de lhe confessar que ele também sente dificuldades, fala-lhe da prioridade da oração, que deve preceder, acompanhar e seguir a pregação. E dá especial ênfase à necessidade da vibração interior do pregador – à hilaritas, como ele diz –, que o leva a falar com alegria, satisfação e convicção vibrante. Quando isso existe, cria-se facilmente a sintonia com os ouvintes: «Com muito mais prazer somos ouvidos – diz no Cap. II, n. 4 – quando nós mesmos experimentamos prazer no trabalho de instrução: pois a nossa alegria faz com que a exposição se desenvolva com mais facilidade e seja cativante».

3.3 Mais um fruto do entusiasmo: um padre empolgado com o ministério da Palavra mantém-se desperto para pegar “no ar” qualquer idéia, frase, episódio, exemplo interessantes, que veja úteis para a pregação. Mesmo sem o procurar, as leituras bíblicas, teológicas ou de espiritualidade – feitas para alimentar a sua vida interior – e também as leituras de boas obras literárias, fazem pipocar idéias que lhe servirão depois para a pregação. Melhor ainda se costuma a tomar notas desses textos ou pensamentos e vai fazendo o seu fichário de pregação.

IV. A preparação próxima

4.1 Antes de preparar uma homilia ou qualquer outra pregação, precisamos definir bem o que queremos transmitir ao povo. Isso exige fazer duas escolhas:

a) Escolher o tipo de homilia:  pode ser  uma homilia baseada nos textos litúrgicos do dia, ou uma homilia circunstancial (para uma festa, um evento de particular relevo, etc.), ou uma homilia temática, ou uma homilia litúrgico-temática nos termos em que fala a Exortação Apostólica Sacramentum caritatis: «Considera-se que é oportuno oferecer prudentemente, a partir do Lecionário trienal, homilias temáticas aos fiéis que tratem, ao longo do ano litúrgico, os grandes temas da fé cristã, haurindo de quanto está autorizadamente proposto pelo Magistério nos quatro “pilares” do Catecismo da Igreja Católica e no recente Compêndio: a profissão de fé, a celebração do mistério cristão, a vida em Cristo, a oração cristã».

b) Escolher o tema da homilia. A boa homilia deveria ser breve (à volta de uns dez minutos). Esse limite de tempo não permite normalmente comentar todas as leituras ou outros textos litúrgicos do dia (Intróito, Salmo, etc.). Por isso, é preciso escolher qual o texto a ser comentado: às vezes, podem bastar um ou dois versículos do Evangelho, ou da 1ª e 2ª leitura (lembrando que, aos domingos, a 1ª leitura costuma estar em sintonia com o tema do Evangelho).

c) Ajuda muito ter mentalmente à vista – com a imaginação – o povo concreto a quem vamos falar, procurar colocar-nos no lugar dos fiéis, como se os tivéssemos na frente (as suas dificuldades, necessidades espirituais, cultura religiosa, capacidade de entender…), para assim definir melhor o tipo de homilia e o tema que mais lhes convém.

d) Há sacerdotes que, logo após o domingo, já procuram ver as leituras do domingo (ou festa) seguinte e começam a “trabalhar mentalmente” a próxima homilia. É lógico agir assim se temos a resolução de encarar a pregação com “mentalidade profissional”.

4.2  Uma vez definido o tema, é necessário “enriquecê-lo” e “ordená-lo”:

a) Enriquecer, isto é, procurar ler e meditar algumas “fontes” (Bíblia comentada, livros, material bom da Internet) que nos forneçam idéias, exemplos, citações breves e incisivas para a pregação, etc.  de modo a evitar a preguiça ou o excesso de autoconfiança, que levam a improvisar confusamente e ao vazio na exposição.

Pode ser muito útil usar uma folha de papel como “rascunho” e lá ir anotando abreviadamente idéias ou citações tiradas dessas fontes. Seria pouco sensato querer aproveitar muitas delas. Para uma homilia – breve – precisamos selecionar um número mínimo, que ajude mesmo a “iluminar” o “tema”, sem sair dele.

b) Ordenar. É preciso “ordenar” as idéias que desenvolvem a homilia: uma sequência lógica, sem divagações “laterais” que distraiam do “tema” central, idéias que possam ser acompanhadas de maneira fácil, simples e inteligente.  A pregação não pode ser um amontoado de assuntos e idéias desconexas, soltados aos borbotões sem um fio condutor que una tudo. Depois de uma boa homilia, qualquer fiel normal  deveria poder responder logo a estas duas perguntas: “De que falou hoje o padre?” (se respondem “do Evangelho”, mas não especificam, algo falhou); e “Que conclusões pessoais você viu que seria bom tirar?” (mesmo que ainda não tenha tirado nenhuma, deveria tê-las enxergado).

4.3  No nosso ambiente brasileiro, a comunicação direta e cálida com o povo parece desaconselhar a homilia “lida” (exceto em grandes solenidades oficiais, etc.), mas não seria nada mau que, na hora da pregação, usássemos uma ficha esquemática, bem ordenada, com umas poucas linhas que marquem claramente a ordem de idéias da homilia e tragam alguma breve citação.

Como é lógico, não podemos colocar barreiras à ação do Espírito, que sopra onde quer (Jo 3,8) e que pode nos conduzir para fora do esquema previamente preparado. Mas é bom não esquecer a oração de São Bernardo: «Vem, ó Espírito Santo, e fala sempre ao meu coração ou, pelo menos, se desejas calar-te, que o teu silêncio me fale, porque sem ti estou sempre em perigo de seguir os meus erros e confundi-los com os teus ensinamentos».

4.4 Finalmente, vale a pena lembrar a importância que, desde os tempos clássicos, os oradores profanos e depois os sacros deram ao exórdio, ao modo de começar o discurso. Não há regras fixas e o exórdio pode ser variadíssimo (uma citação bíblica, um exemplo, uma pergunta…). O importante é que desperte logo a atenção do ouvinte, e que ele se sinta “tocado” (“isto é para mim!”).

A título de simples exemplo, sem pretensão de oratória (que cai fora do nosso tema), tem sido útil muitas vezes começar a pregação com um “gancho” como, por exemplo:

– “Não sei se vocês observaram uma coisa que chama a atenção no Evangelho de hoje…”

– “Acho que todos vocês perceberam que, no Evangelho que acabamos de ler, há uma aparente contradição…”  (logo esclarece)

– “Todos nós temos alguns dias em que, à noite ou quando estamos sós, sentimos um estranho vazio, uma solidão dura de suportar. Por quê? Vamos reler atentamente algumas das palavras de São Paulo que acabamos de ouvir, porque nos podem oferecer a resposta…”

– “O Evangelho de hoje nos dá uma oportunidade magnífica para entendermos em que consiste a verdadeira humildade…” (assim logo anuncia o “tema” e o povo sabe de que vai falar).

– “Quem não desanimou, uma ou muitas vezes, ao perceber que, mesmo quando quer perdoar, não consegue esquecer nem apagar o rancor? Por que? Será que entendemos direito como é o perdão de que Cristo nos fala? “.

[Se tivermos oportunidade de ler (ou ouvir gravações) dos programas televisivos ou radiofônicos do famoso bispo americano Fulton Sheen, poderemos comprovar como é bom começar com um exórdio que tenha “gancho”].

4.4 Também é útil pensar na idéia ou frase com que vamos terminar. Um bom “fecho” ajuda muito a deixar boa impressão de uma homilia e de qualquer pregação. Não nos aconteça como a alguns, que repetem cinco vezes “e por último”, “e para finalizar”, “uma última idéia” (sendo já a sexta “última idéia”!)… Como dizia um excelente pregador de retiros, algumas meditações parecem aviões que não conseguem pousar por causa do mau tempo: anunciam que vão chegar ao fim da viagem, iniciam o procedimento de “pouso”, parece que vão aterrissar, mas depois arremetem e voltam a voar, ficam dando voltas um bom tempo, de novo parece que descem para pousar, mas outra vez arremetem, e não há jeito de que cheguem à pista.

4.5  Enfim, muita coisa ficou por ver, apesar de esta palestra ser já excessivamente longa. Ponhamos um fecho a todas essas considerações recordando que “trabalhar” a homilia com empenho, com capricho, é algo que Deus e o povo nos pedem, sem esquecermos, ao mesmo tempo, que nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus que faz crescer (1 Cor 3,7).

Pe. Francisco Faus.


[1] Neste guia de palestra, uma boa parte dos sublinhados é minha: foram feitos para pôr mais em destaque algumas palavras ou idéias.